Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Prato de doce, Fábrica de Loiça de Sacavém, período 1863 - 1880

Conjunto de dois pratos com o formato de doce produzidos na Fábrica de Loiça de Sacavém por técnica de estamparia entre 1863 e 1880.

O primeiro exemplar com um diâmetro a rondar os dezoito centímetros, apresenta uma decoração em tom monocromado a verde, baseada na estátua equestre de desenho conhecido como Rei  pela coroa evidenciada no topo, e cabeça de cavalo voltada para trás, característica típica dos pratos produzidos por esta fábrica em peças de diâmetro reduzido. Quanto a  outros elementos decorativos, pode-se identificar a paisagem com rio, elementos arquitectónicos, embarcação e coluna, além de pequeninas figuras clássicas localizadas por baixo do pedestal. Na aba do prato, visualizam-se padrões florais, casarios e vasos sobre pedestal, decoração típica do motivo Estátua. Período de fabrico entre 1870 e 1880.

O segundo exemplar com um diâmetro a rondar os quinze centímetros, distingue-se do primeiro pela sua tonalidade a negro e pela sua grande qualidade de estampa. Relativamente à decoração central, o sentido da estampa é alterado e a estátua equestre volta a apresentar o desenho conhecido como Amazona. O pormenor da cabeça de cavalo voltada para trás desaparece e o formato da aba do prato torna-se ligeiramente gomado, fazendo com que seja um exemplar mais invulgar do que o já analisado. Período de fabrico entre 1863 e 1870.

Num serviço de jantar, além de pratos de doce existem também pratos de fruta (diâmetro a rondar os vinte centímetros), em que a produção da Fábrica de Loiça de Sacavém proporcionou um maior conjunto de variantes decorativas nas peças produzidas. Será um tópico para desenvolver noutra ocasião. 

Quarta-feira, 23 de Fevereiro de 2011

Prato raso, Fábrica José dos Reis, período 1875 - 1900

Prato raso de tom monocromado a negro, produzido muito provavelmente na Fábrica José dos Reis em Alcobaça por técnica de estamparia e esponjado, de período compreendido entre 1875 a 1900.

Tal como no caso da travessa com o mesmo fabrico, comparando os pormenores decorativos ao nível do desenho central com peças da Fábrica de Loiça de Sacavém, está presente a estátua equestre com feições semelhantes às apelidadas de Amazona e vultos a simularem pequenas figuras na base do pedestal. 
Quanto a outros elementos representativos, constata-se a paisagem enquadrada por rio, elementos arquitectónicos, embarcações, lápide e coluna, típico da produção da Fábrica de Loiça de Sacavém. Relativamente à aba, esta é apenas decorada com padrão floral, característico da produção da Fábrica José dos Reis.

Apesar da inferior qualidade de vidrado e desenho, o prato analisado consiste num espécime importante em termos de inventário, visto que até à data não existe nenhuma peça com este formato catalogada em livros relacionados com a faiança de José dos Reis, ou mesmo em termos gerais, com a faiança de Alcobaça.

Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Terrina, Fábrica de Loiça de Sacavém, período 1863 - 1870

Conjunto de três terrinas de decoração distinta, produzidas na Fábrica de Loiça de Sacavém por técnica de estamparia entre 1863 e 1870.

Todas as peças apresentam formato oitavado, coincidente com as travessas do mesmo período, com estátua equestre de desenho conhecido como Amazona e elementos decorativos no desenho central baseados na paisagem com rio, elementos arquitectónicos, embarcação, coluna e lápide, além das pequeninas figuras clássicas localizadas por baixo do pedestal.
A terrina a preto apresenta uma composição de estampa bastante recorrente no período em causa, enquanto que as terrinas a verde e azul já são caracterizadas pela composição no sentido contrário da estampa, tornado-se então mais invulgares de aparecerem.
Na terrina a verde, realce para o braço esquerdo esticado da figura central, pormenor bastante comum em exemplares do final do século XIX / século XX mas não no período em análise. Outro aspecto interessante  nesta peça, está no destaque da ponte que liga as duas composições principais do desenho, ou seja, toda a decoração que rodeia a estátua equestre do lado esquerdo e o desenho com grande componente arquitectónica à direita.

Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Fruteira, Fábrica de Loiça de Sacavém, períodos 1863 - 1870 e 1870 - 1880

Conjunto de três fruteiras de formatos distintos produzidas na Fábrica de Loiça de Sacavém por técnica de estamparia entre 1863 a 1880.

As peças em causa apresentam estátua equestre de desenho conhecido como Amazona e elementos decorativos no desenho central baseados na paisagem com rio, elementos arquitectónicos, embarcação, coluna e lápide, além das pequeninas figuras clássicas localizadas por baixo do pedestal.

O primeiro exemplar a verde é caracterizado pela parte superior ter semelhanças de formato com pratos rasos visto o recipiente ser pouco fundo. Visto de cima, torna-se quase impossível distinguir a peça de um prato.

O segundo exemplar já apresenta um formato mais côncavo quando comparado com a peça de cima e de desenho menos preenchido.


Finalmente, o espécime mais reconhecido como fruteira de formato com maior profundidade, e com a particularidade de ter a estampa direccionada para a direita (sentido do cavalo), invulgar de aparecer no motivo Estátua.

Já depois de terminar esta entrada, tive acesso a outra fruteira de formato mais tradicional como a peça da foto de cima, mas de decoração exterior com pormenores mais recorrentes em termos do motivo e período em causa.

Para mim, a particularidade desta peça está no desenho interior, em que é possível visualizar novamente a estátua equestre, desta vez de desenho mais coincidente com exemplares do final do século XIX, não estando presente a decoração conhecida como Amazona. Este pormenor indica que a decoração em causa não foi exclusiva do período coincidente com a segunda e terceira marca de fabrico da Fábrica de Loiça de Sacavém, como até aqui se pensava.


Um agradecimento especial aos coleccionadores anónimos e seguidores deste blogue pela cedência de fotos das suas peças.

Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

Cuspidor, Fábrica de Loiça de Sacavém, período 1870 - 1880

Cuspidor produzido na Fábrica de Loiça de Sacavém por técnica de estamparia entre 1870 a 1880.

O exemplar em causa apresenta estátua equestre de desenho conhecido como Amazona e elementos decorativos no desenho central baseados na paisagem com rio, elementos arquitectónicos, embarcação, coluna e lápide, além das pequeninas figuras clássicas localizadas por baixo do pedestal. Na aba da tampa do cuspidor, visualiza-se decoração inspirada na cercadura floral típica do motivo Estátua.


Para terminar, chama-se à atenção para a invulgaridade de peças com a utilização em causa, já que os cuspidores de época são considerados hoje como objectos de colecção no domínio da higiene pessoal. Destaque também para a tonalidade lilás presente na peça, uma das mais escassas produzidas pela Fábrica de Loiça de Sacavém.

Sábado, 15 de Janeiro de 2011

Saleiro, Fábrica de Loiça de Sacavém, período 1863 - 1870

Saleiro produzido na Fábrica de Loiça de Sacavém por técnica de estamparia entre 1863 a 1870. 

Relativamente à decoração presente na peça, a estátua equestre apresenta desenho conhecido como Amazona, e devido à sua reduzida dimensão, apenas estão presentes elementos decorativos no desenho central como a paisagem com rio, elementos arquitectónicos, embarcação e coluna. Tanto a aba interior como a exterior na base são decoradas com cercadura floral típica do motivo Estátua.


Mais uma vez, salienta-se o facto de peças com a mesma utilização poderem variar ligeiramente em termos de formato ou mesmo decoração, tal como se pode comparar pelas peças expostas. A primeira é caracterizada por ter boca larga, enquanto que a segunda é mais estreita e baixa, e ambas diferem na decoração floral da cercadura da aba.


Este tipo de peça é muitas vezes confundida como recipiente de creme para pincel de barba, (suposição perfeitamente válida visto assemelhar-se a esse tipo de peça, aliado ao facto de existirem bacias degoladas com a decoração em foco), no entanto, como se pode observar pela foto retirada do livro Primeiras Peças da Produção da Fábrica de Loiça de Sacavém - O Papel do Coleccionador, Museu de Cerâmica de Sacavém, 2003, pp. 107, está representado parte considerável de um serviço de jantar de época, em que dentro do círculo vermelho visualiza-se um saleiro com o mesmo formato.



Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011

Molheira, Fábrica de Loiça de Sacavém, período 1870-1880

Molheira produzida na Fábrica de Loiça de Sacavém por técnica de estamparia entre 1870 a 1880. 

Quanto à decoração presente na peça, a estátua equestre apresenta desenho conhecido como Amazona devido às suas feições femininas, em que na base do pedestal estão presentes pequenas figuras. Outros elementos representativos do desenho central passam pela representação de paisagem com rio, elementos arquitectónicos, embarcações, lápide e coluna.

Na segunda foto verifica-se uma ligeira variação de formato entre molheiras do mesmo período e com a mesma decoração.


Um agradecimento especial à Maria de Andrade pela cedência de fotos da primeira peça catalogada e respectiva marca de fabrico, assim como a um dos coleccionadores anónimos seguidores deste blogue.